Hefner tinha 91 anos e morreu pacificamente em sua casa, de causas naturais, avançou a Playboy Enterprises Inc. em comunicado.

in Expresso:
Hugh Hefner, o fundador da mais famosa revista para adultos, a “Playboy”, morreu esta quarta-feira de causas naturais em sua casa. Tinha 91 anos.

Hefner ganhou fama internacional graças à publicação periódica, uma iniciativa que inaugurou a partir da cozinha da sua casa em 1953; a “Playboy” acabaria por se tornar a revista para homens mais popular do mundo, vendendo sete milhões de cópias por mês no pico da sua popularidade.

Cooper Hefner, o seu filho, declarou que “muitos vão sentir a sua falta”. Em comunicado, Hefner júnior presta tributo à “vida excecional e impactante” do pai “enquanto pioneiro cultural e de media”, classificando-o como um grande defensor da liberdade de expressão, dos direitos civis e da liberdade sexual.

Foi pela mão de Hugh Hefner e da sua revista, surgida numa altura em que o acesso a métodos contracetivos era proibido nos EUA, que a nudez feminina entrou de rompante nos media mainstream; foi muito graças às mulheres que posaram nuas para a “Playboy” que Hefner conseguiu criar um império multimilionário com essa marca, que para além da revista inclui casinos e discotecas.

A primeira edição da revista trazia nas páginas centrais fotografias de Marilyn Monroe nua, que Hefner comprou por 200 dólares (170 euros), imagens originalmente produzidas para um calendário de mulheres nuas do ano de 1949. Famoso pelos seus pijamas de seda e pelo seu hedonismo, o magnata namorou com dezenas de modelos da “Playboy “e, nos últimos anos, tornou-se particularmente famoso pelas festas decadentes que organizava nas suas mansões de Chicago e de Los Angeles.

Em várias entrevistas garantiu que, ao longo da sua vida, teve sexo com mais de mil mulheres, reconhecendo que nas últimas décadas conseguiu tal feito graças ao Viagra, os comprimidos azuis de combate à impotência sexual que o ajudaram a manter a libido. De 2005 a 2010, o seu estilo de vida libertino, rodeado de um harém de mulheres jovens, magras e loiras, alimentou um reality show chamado “The Girls Next Door”. Em 2012, aos 86 anos, casou pela terceira vez com Crystal Harris, 60 anos mais nova que ele.

Nascido numa família episcopal metodista muito conservadora, Hugh Hefner rejeitou sempre as críticas de que a sua revista era uma plataforma para disseminar conteúdos degradantes para as mulheres. “Honestamente, nunca pensei na ‘Playboy’ como uma revista sexual”, declarou à CNN em 2002. “Sempre a olhei mais como uma revista de lifestyle, em que o sexo era um dos ingredientes importantes.”

Em 1963, dez anos depois de ter lançado a revista, Hefner enfrentou acusações formais de obscenidade por causa da publicação e distribuição da “Playboy”, mas o caso judicial acabou por ser suspenso após os jurados não terem conseguido chegar a acordo sobre o veredicto. Para além das mulheres nuas, a revista destacou-se ao longo de décadas por importantes reportagens e entrevistas, incluindo a Martin Luther King, ao Beatle John Lenon e ao líder revolucionário de Cuba, Fidel Castro.

Entre os escritores mais famosos que chegaram a contribuir para a revista contam-se Norman Mailer, Kingsley Amis, Kurt Vonnegut, James Baldwin, Vladimir Nabokov e Ray Bradbury — contribuições estas que permitiram aos homens alegar que não compravam a revista apenas pelas fotografias de mulheres nuas. Donald Trump, o atual Presidente dos EUA, também é um confesso amante da “Playboy”, tendo aparecido na capa da edição de março de 1990, sob a manchete: “Bela revista, quer vendê-la?”

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